Califórnia avança na proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas

Califórnia avança na proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas públicas

Mesmo durante as férias escolares, os legisladores da Califórnia não param de trabalhar para melhorar a qualidade da alimentação dos estudantes nas escolas públicas do estado.

Em 3 de junho, a Assembleia Legislativa aprovou um projeto de lei histórico, o AB 1264, que propõe a eliminação gradual dos alimentos ultraprocessados "particularmente prejudiciais" das refeições matinais e almoços escolares até 2035.

Essa iniciativa pioneira pode tornar a Califórnia o primeiro estado dos Estados Unidos a proibir certos alimentos industrializados ricos em aditivos químicos nas escolas.

O que são alimentos ultraprocessados "particularmente prejudiciais"?

Alimentos ultraprocessados geralmente são produtos industrializados feitos com ingredientes de baixa qualidade e que podem ser armazenados por longos períodos. Entre esses alimentos estão salgadinhos, doces, produtos de padaria em massa, macarrão instantâneo, refrigerantes e lanches com sabores artificiais.

Para definir quais alimentos serão considerados ultraprocessados e prejudiciais à saúde, os legisladores contarão com a ajuda de cientistas do Escritório de Avaliação de Perigos Ambientais à Saúde da Califórnia, em parceria com especialistas da Universidade da Califórnia.

Caso o projeto seja aprovado, esses especialistas terão até julho de 2026 para estabelecer um padrão claro.

Critérios para classificação dos alimentos ultraprocessados prejudiciais

De acordo com o projeto AB 1264, um alimento pode ser classificado como "particularmente prejudicial" se:

  • Contiver aditivos proibidos, restritos ou sinalizados com rótulos de alerta por órgãos estaduais, federais ou internacionais;
  • Incluir ingredientes cientificamente ligados a doenças graves, como câncer, obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 e danos reprodutivos ou no desenvolvimento;
  • For modificado para conter quantidades excessivas de açúcar, sal ou gordura;
  • Contribuir para o vício alimentar por meio de ingredientes hiperpalatáveis ou modificados.

Impacto esperado e importância da nova legislação

Espera-se que as escolas públicas da Califórnia sirvam mais de 1 bilhão de refeições durante o ano letivo. Com a aprovação do projeto AB 1264, os estudantes estarão protegidos de químicos nocivos e substâncias viciantes presentes em alimentos ultraprocessados. A legislação também visa garantir que todas as crianças, inclusive aquelas de comunidades desfavorecidas, tenham acesso a refeições saudáveis e nutritivas.

Jesse Gabriel, autor do projeto e democrata que representa Encino, destacou que a iniciativa tem apoio bipartidário e é baseada em evidências científicas. Segundo ele, "nossas escolas públicas não devem servir produtos ultraprocessados cheios de aditivos químicos que podem prejudicar a saúde física e mental dos estudantes e interferir em sua capacidade de aprender".

Contexto e outras ações relacionadas na Califórnia

O projeto AB 1264 é o mais recente esforço das autoridades californianas para reformar a nutrição escolar e garantir segurança alimentar. Em maio, a Food and Drug Administration (FDA) dos Estados Unidos aprovou três novos corantes naturais para alimentos e reafirmou o compromisso de eliminar corantes prejudiciais, como o Vermelho 1.

Além disso, em 2024, a Califórnia aprovou uma lei proibindo certos corantes sintéticos nas refeições escolares, reforçando o compromisso do estado com a saúde das crianças e a qualidade dos alimentos servidos nas escolas.

Considerações finais

A aprovação do projeto AB 1264 pela legislatura da Califórnia representa um avanço significativo na luta por uma alimentação escolar mais saudável e segura. Ao eliminar gradualmente alimentos ultraprocessados prejudiciais das refeições oferecidas nas escolas públicas, o estado promove a saúde física e mental dos estudantes, além de contribuir para a melhoria do desempenho escolar.

Essa iniciativa pioneira pode servir de exemplo para outras regiões do Brasil e do mundo, mostrando que é possível unir esforços bipartidários e científicos em prol do bem-estar das crianças.

Para mães e gestantes brasileiras que se preocupam com a alimentação de seus filhos, essa notícia reforça a importância de escolher alimentos naturais e nutritivos, valorizando a saúde desde a infância.