Por que bebidas energéticas são perigosas para adolescentes e como proteger seu filho

Por que bebidas energéticas são perigosas para adolescentes e como proteger seu filho

Os pais da geração millennial podem recordar os tempos em que seus próprios responsáveis se preocupavam se estavam consumindo álcool em locais impróprios ou usando a mesada para comprar bebidas energéticas.

Hoje, embora o consumo de álcool entre adolescentes tenha diminuído significativamente, as bebidas energéticas continuam representando um risco à saúde dos jovens. Em 2023, registros indicam que o número de menores que consomem álcool atingiu o nível mais baixo já registrado, mas o mesmo não pode ser dito sobre o consumo dessas bebidas estimulantes.

A nova bebida energética que atrai adolescentes

Um vídeo viral no Instagram e TikTok chamou atenção para a bebida Feel Free, da marca Botanic Tonics, que vem sendo comprada por adolescentes em postos de gasolina e lojas de conveniência. Esses locais facilitam o acesso a bebidas com ingredientes potencialmente prejudiciais, mesmo para menores de idade, que podem usar documentos falsos ou pedir para adultos comprarem para eles.

O vídeo mostra um adolescente, estimado em cerca de 14 anos, tentando comprar essa bebida. Ao ser recusado, ele tentou furtar a carteira do adulto abordado. Funcionários do posto relataram que a bebida é comprada várias vezes ao dia e que os consumidores frequentemente perdem o controle, demonstrando um potencial viciante.

A Feel Free contém kratom, uma planta do Sudeste Asiático conhecida por seus efeitos estimulantes e opioides, o que gera preocupação entre especialistas e órgãos reguladores. A FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos alerta contra o uso do kratom, principalmente em tratamentos médicos, devido aos riscos associados.

A diferença entre kratom sintético e kratom em folha

A bebida é comercializada para maiores de 21 anos como uma alternativa ao álcool, prometendo relaxamento, foco e produtividade. Seus ingredientes principais são a raiz de kava e o kratom em folha, que a empresa Botanic Tonics afirma ser diferente do 7-OH, um kratom sintético concentrado que está sob proposta de proibição pela FDA devido aos riscos à saúde.

Cameron Korehbandi, CEO da Botanic Tonics, destaca os perigos do 7-OH, que possui alta afinidade com receptores opioides, aumentando os riscos de dependência e efeitos colaterais graves. A empresa também reforça seu compromisso com a segurança e a verificação rigorosa da idade na venda dessas bebidas.

Por que o kratom é especialmente perigoso para adolescentes

Embora bebidas com kava e kratom sejam vendidas prometendo benefícios como concentração e calma, os riscos para adolescentes são significativos. O Dr. John P. Higgins, da McGovern Medical School, alerta para a toxicidade hepática associada à kava e para os efeitos do kratom, que incluem taquicardia, arritmias e potencial dependência.

Estudos indicam que adolescentes são mais vulneráveis ao abuso dessas substâncias. Casos graves já foram registrados, incluindo hospitalização de um jovem de 15 anos após o consumo de kratom.

Como os adolescentes estão sendo expostos a bebidas energéticas perigosas

Apesar dos riscos conhecidos, adolescentes continuam a acessar bebidas energéticas perigosas. Em 2023, os Centros de Controle de Intoxicações dos EUA registraram mais de 2.600 casos de exposição a essas bebidas em menores de 20 anos. O alto teor de cafeína e açúcar torna essas bebidas inadequadas para crianças e adolescentes.

Casos extremos incluem jovens que sofreram paradas cardíacas após o consumo dessas bebidas. Bebidas populares em redes como Starbucks e Panera Bread continham altos níveis de cafeína, levando ao recolhimento de alguns produtos.

Autoridades e legisladores têm tentado regular a venda dessas bebidas para menores, com pedidos para investigação de práticas de marketing e ingredientes nocivos.

Exposição perigosa à cafeína desde a infância

Crianças pequenas também estão sendo expostas acidentalmente a bebidas energéticas, muitas vezes consumindo bebidas deixadas ao alcance. O Centro de Controle de Intoxicações dos EUA relatou casos em crianças de 6 a 12 anos, e pesquisas mostram aumento da exposição à cafeína em menores de 6 anos.

Especialistas recomendam que os pais verifiquem sempre os rótulos e mantenham essas bebidas fora do alcance das crianças para evitar riscos à saúde.

Quais são os riscos à saúde associados às bebidas energéticas

O consumo de cafeína em crianças e adolescentes pode causar efeitos como dores de cabeça, insônia, ansiedade e problemas cardíacos. Devido ao sistema nervoso em desenvolvimento e menor peso corporal, jovens são mais sensíveis à cafeína.

A Academia Americana de Pediatria recomenda que crianças evitem bebidas com cafeína para proteger sua saúde física e mental.

O que fazer se suspeitar que seu filho está consumindo bebidas energéticas

Se os pais desconfiam que seus filhos estão consumindo bebidas energéticas, devem observar sintomas como ansiedade, irritabilidade e insônia. É fundamental conversar abertamente com a criança e buscar orientação médica.

Verificar os rótulos em casa e remover produtos com cafeína, guaraná, erva-mate ou taurina é essencial para prevenir o consumo. Em casos graves, procurar ajuda médica imediata é indispensável.

Hábitos saudáveis que os pais devem incentivar

Para ajudar os filhos a lidar com dificuldades de foco e estresse, os pais devem incentivar rotinas saudáveis, incluindo horário regular para dormir, alimentação equilibrada, atividade física e limitar o uso de telas.

Problemas como TDAH, ansiedade e distúrbios do sono devem ser avaliados por profissionais de saúde. O uso de cafeína para melhorar a concentração não é recomendado, pois pode agravar esses problemas.

Estratégias sem medicamentos, como higiene do sono e rotinas estruturadas, são as melhores abordagens para apoiar o desenvolvimento saudável dos adolescentes.

Em resumo, apesar da redução no consumo de álcool entre jovens, o acesso fácil e o apelo das bebidas energéticas com ingredientes como kratom trazem riscos significativos à saúde dos adolescentes. A conscientização dos pais, a regulação rigorosa e a adoção de hábitos saudáveis são fundamentais para proteger as novas gerações.