Mãe, quantas vezes você já foi chamada hoje? Saiba como lidar sem culpa

Mãe, quantas vezes você já foi chamada hoje? Saiba como lidar sem culpa

Se você sente que seu nome está sempre ecoando pela casa, saiba que não está imaginando. A mãe australiana Jasmine (@flownoak no TikTok) decidiu contar quantas vezes seus filhos disseram "Mãe" em um único dia. O número final? Surpreendentes 234 vezes — e isso foi apenas entre 7h e 20h, enquanto ela estava em casa com seus dois filhos mais novos.

Jasmine explicou ao TODAY.com que essa foi uma forma de quantificar e justificar como as interrupções constantes estavam afetando seu dia a dia. Era o típico cenário de "Pai, onde está a mãe? Preciso que ela pegue minha garrafinha de água" — mesmo com o marido em casa, perfeitamente capaz de ajudar.

Ela usou um contador manual para acompanhar as chamadas e disse casualmente à família que estava "contando algumas coisas." Às 8h50, já tinha registrado 88 chamadas. Na hora do almoço, o número subiu para 127. No fim da tarde, 181. O vídeo que Jasmine compartilhou no TikTok viralizou, alcançando mais de 852 mil visualizações.

O custo invisível da maternidade padrão

No vídeo, Jasmine desabafa deitada na cama, ainda de roupão: "Por isso nos perguntamos por que as mães estão cansadas de ouvir seus nomes — 234 vezes hoje. Fiz uma conta rápida: se for a média diária por um ano, vou ouvir isso 85.410 vezes. Boa noite."

Esse TikTok virou um suspiro coletivo de alívio para muitas mães brasileiras sobrecarregadas que, como Jasmine, sentem o cérebro travar após a 87ª chamada de "Mãe!" antes das 10h da manhã.

Comentários como "O limite não existe!" e "É como receber 234 e-mails que precisam de atenção imediata e a maioria termina em birras. Exaustivo!" refletem a realidade de muitas mães.

Por trás das risadas, há uma verdade profunda: Jasmine queria mostrar, em números, o fluxo constante de interrupções mentais que desgastam as mães — algo que muitos sentem, mas raramente quantificam. É a parte da maternidade que não aparece na lista de tarefas, mas que corrói a paciência e a energia.

Ela destaca que é difícil atribuir um valor financeiro ao trabalho mental e emocional que as mães realizam diariamente, e quantificar essas interrupções ajuda a dar visibilidade a essa carga invisível.

Gratidão e cansaço ao mesmo tempo

Nem todos entenderam o desabafo de Jasmine. Alguns a acusaram de ser ingrata, lembrando que muitas mulheres não têm filhos e nunca ouvem seus nomes assim. Jasmine respondeu com sinceridade e delicadeza, revelando que teve um bebê natimorto aos 32 semanas de gravidez. Ela conhece bem a dor de nunca ouvir seu filho chamar seu nome.

Ela reforça que é possível sentir duas coisas ao mesmo tempo: ser imensamente grata e estar cansada da repetição constante. É uma realidade que mistura dor, excesso de estímulos, amor profundo e o desejo desesperado por alguns minutos de tranquilidade, como ir ao banheiro sozinha.

Como reduzir o número de chamadas para a mãe sem culpa

Especialistas em saúde mental materna falam sobre o esgotamento sensorial, uma sensação de sobrecarga causada por ser tocada, falada e solicitada o tempo todo. Pesquisas mostram que interrupções constantes, multitarefas e trabalho emocional são grandes causas de esgotamento nas mães.

Mas o que fazer para aliviar essa carga? Jasmine incentiva os pais a conversarem entre si e ensinarem as crianças que nem toda necessidade precisa do "Mãe".

Ela sugere estimular os filhos a fazerem o que eles e os pais se sentem confortáveis para que eles possam resolver sozinhos. Isso não só cria confiança, mas também diminui o número de vezes que a mãe é chamada.

Dicas para diminuir a "conta de mãe"

  • Crie uma "hora sem mãe", onde outro adulto seja responsável ou as crianças saibam a quem recorrer como segunda opção.
  • Use um sistema de "fichas da mãe", onde as crianças têm um número limitado de chamadas por hora, fazendo-as pensar antes de gritar.
  • Dê scripts para as crianças saberem o que fazer quando podem se virar sozinhas, como "Se você consegue alcançar, tente primeiro!"

Ser constantemente chamada não faz de você uma mãe melhor

Fomos condicionadas a pensar que estar sempre disponível e ser constantemente necessária é sinônimo de ser uma boa mãe. Mas a verdade é que interrupções sem parar não são sustentáveis para ninguém.

Está tudo bem querer um espaço para si mesma, dizer "agora não" e até mesmo contar até 234 e decidir que amanhã quer menos chamadas. Isso não diminui o amor que você sente pelos seus filhos. Pelo contrário, mostra que você é humana e precisa cuidar de si para cuidar bem dos outros.

Considerações finais

O desabafo de Jasmine não é apenas uma curiosidade divertida, mas um retrato real da maternidade moderna, especialmente para as mães brasileiras que vivem o desafio da carga mental e emocional diariamente. Quantificar as chamadas de "Mãe" ajuda a dar voz a um sentimento comum e muitas vezes silencioso.

Reconhecer essa realidade é o primeiro passo para buscar equilíbrio e bem-estar, tanto para as mães quanto para suas famílias. Encorajar a autonomia das crianças, dividir responsabilidades e respeitar o espaço pessoal são atitudes que podem transformar o dia a dia e aliviar o esgotamento materno.

Lembre-se: ser mãe é amar, cuidar e também cuidar de si mesma. E isso faz toda a diferença para uma maternidade mais leve, feliz e saudável.